sábado, 7 de abril de 2012
Ó fracasso
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
concurso
Aquela semi-multidão desesperada aguardava por algo mais, alguém a mais, algum tipode milagreiro que pudesse tirá-los do limbo. Aqueles sonhos soavam tão alto no salão que o mestre de cerimônias se forçava a fazer pequenos trocadilhos para quebrar o clima de tensão, os sonhos se embalavam pelo barulho do ar condicionado. Triste sina de quem quer ser, triste sina de quem é uma negativa daquilo que sonhara ser. Não agüentei ver olhos tão marcados pela média, pelas estatísticas, pelo número que eles representavam para a grande nação.
Agüentem firmes bravos, não estou com vocês, pq vocês estão pelo mundo. Mas lhes desejo sorte para um dia entenderem que o que vocês buscam não é ser, e sim: estar.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Feliz Natal
Já se passava de meia hora de discussão o homem, de um lado a mulher dele envergonhada do outro, a mãe segurando a sacola... O menino? No meio da rua, sem a supervisão da mãe, seu carro derrapou numa ladeira, e por isso ele resolveu chegar até a caixa azul do outro lado da rua... era mais uma aventura, ele em seu carro vermelho, uma ferrari, sejamos justos. A corrida estava frenética, o herói precisava chegar antes de todos para ganhar o grande prêmio. O herói escorregou na lama da rua, sem ver o carro que vinha na outra direção, no volante o casal das ebnditas seriguelas... O carro vermelho de estraçalhou na rua, o menino se estraçalhou na rua... agora já era tudo vermelho.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Palavrágica
Não sei o que me veio primeiro, a palavra escrita ou o sentido dela. Desde nova escrevo cartas, achava que assim era mais fácil me comunicar com os meus. Mas porque a palavra nos parece distanciar do que queremos dizer? A palavra é; por isso hoje não entendo meu comportamento.
A palavra me move. Quando na alfabetização, vias as letras se transformarem em palavras, palavras em frases, frases em textos, textos em odisséias incríveis, minhas odisséias. A palavra no ato de escrever, me faz dona do mundo. A folha de papel toda em branco vai sendo pintada ao meu bel prazer, letra por letra, palavra por palavra... Aquilo que era branco agora tinha castelos e princesas, sapos, magos. Meu começo no mundo escrito se deu por magia, pura magia. Me vi capaz de impressionar aos outros, me vi capaz de me impressionar ao ver meus sentimentos ali, o que antes era um “não sei sem fim”, agora eram palavras estampadas uma a uma me mostrando linha por linha o que eu sentia, me mostrando o que era eu. A minha leitura do mundo se transformando em uma coisa física e visível a todos, me fazia poderosa, me fazia gente, me fazia especial.
O estranho nesse ato é que tudo que escrevemos já sentimos e por vezes não sabemos que sentimos, a minha leitura do mundo começou a partir do momento que abri os olhos, mas tudo ficou guardado até que eu pudesse entender a palavra por trás de cada sentimento. O processo de transformar o meu mundo visto pelo meu entendimento, em um mundo de palavras legíveis aos outros era fantástico para mim, era como se a partir daquele fato eu fosse parte do mundo e sendo parte do mundo podia dizer ser o mundo. A palavra era meu passaporte para ser bem maior do que eu podia imaginar.
Hoje bem mais letrada continuo tendo a dificuldade por vezes de transformar em literatura real a minha literatura, os sentimentos se codificam cada vez mais e a minha literatura teima em se manter primitiva por achar que assim está mais perto de sua origem, mas depois disso feito, aprendo mais de mim do que antes. Quem me lê, me entende mais do que quem me escuta. A palavra se tornou pra mim antecessora de ações, preciso transformar em palavras as coisas confusas do mundo. A palavra não limita, mas simplifica, exemplifica, normaliza. A palavra me ajuda a desmistificar aquele nó no peito, aquela vontade de gritar, aqueles sentimentos inexplicáveis. A palavra me dá a voz que eu não tinha, a palavra me antecede.
O mais interessante de todo esse mistério entre, sentido e palavra, é que ele é democrático. Se expresse como quiser, seja como puder, essa expressão não tem limites nem limitações. Alguns podem querer salientar as normas gramaticais como limite, mas se acharem isso, não entenderam o que eu escrevi. A palavra se sobrepõe a tudo.
Infelizmente não posso terminar sem lembrar quem não tem as palavras, não posso deixar de lado quem não consegue se expressar por não saber como. O analfabetismo é uma arma de repressão, é uma cadeia sem muros, é o inverso da cidadania, é o inverso da democracia, é o fim de uma nação. O Homem que não reconhece a palavra, tem dentro de si um mundo de idéias fantásticas, revoltas imemoriáveis, amores incríveis dentre outros espetaculares sentimentos que ficarão guardados para sempre por não terem armas para se mostrarem para o resto do mundo. Imagino quantos Machados, Guimarães Rosas e Clarices já perdemos nessa violência que é o analfabetismo.
Tenho para mim que a palavra nos une, por ser a maior das entendedoras, a palavra é flexível e se adapta a minha necessidade. O ato de escrever/ler me transporta de onde eu estiver para fora do mundo, me faz ver tudo mais claro e mais verdadeiro. Esse ato nos sublima a ponto de nos perdermos no tempo durante uma boa leitura ou nos acharmos ao escrevermos uma frase qualquer.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Filho da Lua
sábado, 21 de maio de 2011
Faz parte do meu show
Essa ausência de razão dos tapas que eu levo da vida é o que eu já não consigo engolir. Não matei ninguém, não cuspi nos meus pratos, evito cortar flores, acordo cedo quando é necessário, amei a vida e as pessoas até onde ambas precisaram, estive aqui para a loucura alheia e ainda mais aqui dentro para as minhas loucuras, tentei evitar que pagassem pelos meus gritos, fui a maior das minhas juízas e tentei ser o mais dura possível comigo mesma para evitar retaliações a meu respeito.
Respeitei a vida e suas frescuras, respeitei os velhinhos e me piedei com criancinhas passando fome, fazia meu dever de casa... evito escrever sobre mim, respeitei meus pais... Ah! Segui o roteiro, vesti o figurino apropriado, decorei minhas falas... pra no final das contas ver que a cena tá uma grande merda, tá tudo errado. Alguém grita por detrás das cortinas sempre para tentar consertar o irremediável e tentar me enganar um pouco para eu, pobre estrela, não me jogar na platéia... ela está vazia. Eu iria me jogar em cima de pedaços de madeiras e foices que eles largaram da última vez que estiveram por aqui. Só sei que isso tudo é uma loucura e a voz não pára nunca de gritar, mal sabe ela que eu já não consigo computar gritos, minha cabeça já está num volume tão alto... E no meio disso tudo entra um louco mudo, entra fazendo um escarcéu danado com uns cacos de vidros e luzinhas de natal... acho que ele tenta enfeitar as coisas, mas mal sabe ele que de tanto enfeite tudo aquilo já tá cafona demais... Ele depois de jogar os cacos de vidro em mim e me fazer sangrar um pouco larga as luzinhas já queimadas num canto qualquer e sai. Diga-se de passagem: pra nunca mais voltar. Logo depois como jogada final entra um cara alto, cabelos grisalhos, com enormes mãos que combatem uma com a outra formando um som que lembra o de um aplauso... só que bem mais agressivo. É bem alto e ele não pára, fica no canto do salão, com aquelas palmas que parecem me ferir bem mais do que todos os cacos de todos os loucos mudos anteriores, e o som vai me deitando, ameaçando matar, me machucando, me fazendo chorar, sangrar não dói, chorar sim.
Ele consegue eu, me deito no chão, minhas pernas já não suportam o peso de tudo aquilo e vou sumindo devagar . O mais estranho é que é sempre o mesmo cara e o mesmo som e o mesmo cheiro e o mesmo instante... todas as vezes. Um ou dois dias depois eu renasço naquelas luzinhas todas largadas... linda e brilhantemente vestida para mais algumas sessões: Faz parte do meu show.