sábado, 7 de abril de 2012

Não escreverei sobre meu amor e nem sobre quem merece.. serei burra, estúpida e escritora. Você foi covarde, mais um. Por que pensar, esperar, querer de você algo mais que umas noites de mínima aventura que eu criei pra não te tirar da minha vida? Era o esperado, mas eu tinha trabalhado demais naquele dia, tinha bebido demais, estava cansada demais pra lembrar ou esperar... Só soube chorar e hoje eu te explico porque. Um dia eu te pus como príncipe e PORRA dá trabalho criar. Você foi a pior e melhor criação minha. Mas não se engane, nunca passou de uma invenção de uma adolescente semi-rebelde com ótimas idéias e péssimos atores.

Ó fracasso

Fui despedaçada em tantos pedaços que não pude contar até hoje. Tenho que ser corajosa a ponto de dizer, não sei escrever sobre você. Não sei por onde começar, não sei em que focar, não sei quem culpar. No fim, culpo mais a mim do que a qualquer um... fui uma sequência de erros desde quando nasci, lindos e viciantes erros. Sou como dados viciados, sou doida e doída. Sou dolorosa aos poucos, sou como um grande livro cheio de capítulos repetidos a meu bel prazer. Não sou fácil de ler, nem de ouvir, nem de se ter por perto, porém muio fácil de se apaixonar. Sou o que você queria ser, sou a heroína de todos os livros que leio e disso eu não abro mão. Inventei meu príncipe, e você não consegue criar nem uma gata borralheira. Crio meu castelo com cada carta de baralho que já jogaram em mim e você... Não tenho pena de você e por isso não te colocarei na minha história mais que uma coadjuvante que nem merece falas. Você inspira pena nos outros na intenção de ser algo até pra vc mesma. Crio vários finais pra vc. Comida por um lobo? Não te faria esse favor. Não te acho mais nos próximos capítulos... te perdi a tempos entre letras mal escritas e o tempo que eu não posso perder afinal, eu sou a protagonista da minha vida, mas isso você nunca vai entender.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

concurso

Vários corpos espalhados em cadeiras monocromáticas, espalhadas em um salão estéril de qualquer tipo de sonho. Vários salões espalhados por uma cidade acinzentada castratadora de idéias. Cada corpo carrega em si o drama de não ser, e esse drama os uni de uma forma que espanta até o palhaço desse circo de horror. O sentimento 1que vai sendo criado a revelia do salão é uníssono: queremos ser mais. Vinha de longe, vinha de perto, vinha da esquina, vinha da favela, vinha do arranha céu... cada corpo vinha e isso era o que importava. Estavam todos em busca de luz, de energia para continuar. Um observador desatento poderia supor uma certa mediocridade num sonho tão banal, mas não, eles estavam lá para encarar o salão, a cadeira, a cidade e o observador.
Aquela semi-multidão desesperada aguardava por algo mais, alguém a mais, algum tipode milagreiro que pudesse tirá-los do limbo. Aqueles sonhos soavam tão alto no salão que o mestre de cerimônias se forçava a fazer pequenos trocadilhos para quebrar o clima de tensão, os sonhos se embalavam pelo barulho do ar condicionado. Triste sina de quem quer ser, triste sina de quem é uma negativa daquilo que sonhara ser. Não agüentei ver olhos tão marcados pela média, pelas estatísticas, pelo número que eles representavam para a grande nação.
Agüentem firmes bravos, não estou com vocês, pq vocês estão pelo mundo. Mas lhes desejo sorte para um dia entenderem que o que vocês buscam não é ser, e sim: estar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Feliz Natal

A mãe doente pela dor de viver não via que fazia doente aquele pobre rebento. Em meio ao lixo, em meio ao mundo, no meio de todo mundo, ele brincava com algumas caixas. Cada caixam, não era uma caixa. A vermelha do caqui, era o carro, óbvio, o que mais haveria de ser... A amarelada era seu destino, usada o barulho dos carros como trilha sonora para seu filme de todo dia. De 6 as 6 precisava acompanhar a mãe. Pobre mãe, se tivesse outra opção... mas não, a gente aprende rápido a da sentido pras nossas necessidades. Ela pensava que assim ele não seria um vagabundo nem entraria pra bandidagem: trabalhar com ela de 6 as 6 desde os 6 anos de idade tinha que dar certo. Véspera de Natal e nada seria diferente, a não ser pelas madames cheias de si que mendigavam alguns centavos em cada fruta. Ela tinha que engolir e engolia. Muitomaisquederrepente um casal meio exaltado chega, abusado, pedindo um saco se seriguelas. Era seis reais. O casal não aceitava. A mãe, já não aguentava mais. eram quase 5 da tarde, ela no fundo sabia que seu filho devia brincar e não fantasiar no meio dos carros e da fumaça da feira... Não sei se foi o Natal, ou se foi o nariz escorrendo do filho e a falta de dinheiro para comprar o remédio, mas a mãe não aceitou o 5 reais que o casal oferecia com desdém. Depois da negativa o homem, do tal casal, não quis ir simplesmente embora. Quis bater boca ofender... Sabe-se lá o que passa na cabeça dessa gente, chifres, mortes, bebidas. Discussão vai, discussão vem. Aquilo já havia virado o evento do Natal da Feira: O dia que a pobre mulher das frutas resolveu gritar.
Já se passava de meia hora de discussão o homem, de um lado a mulher dele envergonhada do outro, a mãe segurando a sacola... O menino? No meio da rua, sem a supervisão da mãe, seu carro derrapou numa ladeira, e por isso ele resolveu chegar até a caixa azul do outro lado da rua... era mais uma aventura, ele em seu carro vermelho, uma ferrari, sejamos justos. A corrida estava frenética, o herói precisava chegar antes de todos para ganhar o grande prêmio. O herói escorregou na lama da rua, sem ver o carro que vinha na outra direção, no volante o casal das ebnditas seriguelas... O carro vermelho de estraçalhou na rua, o menino se estraçalhou na rua... agora já era tudo vermelho.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Palavrágica

Não sei o que me veio primeiro, a palavra escrita ou o sentido dela. Desde nova escrevo cartas, achava que assim era mais fácil me comunicar com os meus. Mas porque a palavra nos parece distanciar do que queremos dizer? A palavra é; por isso hoje não entendo meu comportamento.

A palavra me move. Quando na alfabetização, vias as letras se transformarem em palavras, palavras em frases, frases em textos, textos em odisséias incríveis, minhas odisséias. A palavra no ato de escrever, me faz dona do mundo. A folha de papel toda em branco vai sendo pintada ao meu bel prazer, letra por letra, palavra por palavra... Aquilo que era branco agora tinha castelos e princesas, sapos, magos. Meu começo no mundo escrito se deu por magia, pura magia. Me vi capaz de impressionar aos outros, me vi capaz de me impressionar ao ver meus sentimentos ali, o que antes era um “não sei sem fim”, agora eram palavras estampadas uma a uma me mostrando linha por linha o que eu sentia, me mostrando o que era eu. A minha leitura do mundo se transformando em uma coisa física e visível a todos, me fazia poderosa, me fazia gente, me fazia especial.

O estranho nesse ato é que tudo que escrevemos já sentimos e por vezes não sabemos que sentimos, a minha leitura do mundo começou a partir do momento que abri os olhos, mas tudo ficou guardado até que eu pudesse entender a palavra por trás de cada sentimento. O processo de transformar o meu mundo visto pelo meu entendimento, em um mundo de palavras legíveis aos outros era fantástico para mim, era como se a partir daquele fato eu fosse parte do mundo e sendo parte do mundo podia dizer ser o mundo. A palavra era meu passaporte para ser bem maior do que eu podia imaginar.

Hoje bem mais letrada continuo tendo a dificuldade por vezes de transformar em literatura real a minha literatura, os sentimentos se codificam cada vez mais e a minha literatura teima em se manter primitiva por achar que assim está mais perto de sua origem, mas depois disso feito, aprendo mais de mim do que antes. Quem me lê, me entende mais do que quem me escuta. A palavra se tornou pra mim antecessora de ações, preciso transformar em palavras as coisas confusas do mundo. A palavra não limita, mas simplifica, exemplifica, normaliza. A palavra me ajuda a desmistificar aquele nó no peito, aquela vontade de gritar, aqueles sentimentos inexplicáveis. A palavra me dá a voz que eu não tinha, a palavra me antecede.

O mais interessante de todo esse mistério entre, sentido e palavra, é que ele é democrático. Se expresse como quiser, seja como puder, essa expressão não tem limites nem limitações. Alguns podem querer salientar as normas gramaticais como limite, mas se acharem isso, não entenderam o que eu escrevi. A palavra se sobrepõe a tudo.

Infelizmente não posso terminar sem lembrar quem não tem as palavras, não posso deixar de lado quem não consegue se expressar por não saber como. O analfabetismo é uma arma de repressão, é uma cadeia sem muros, é o inverso da cidadania, é o inverso da democracia, é o fim de uma nação. O Homem que não reconhece a palavra, tem dentro de si um mundo de idéias fantásticas, revoltas imemoriáveis, amores incríveis dentre outros espetaculares sentimentos que ficarão guardados para sempre por não terem armas para se mostrarem para o resto do mundo. Imagino quantos Machados, Guimarães Rosas e Clarices já perdemos nessa violência que é o analfabetismo.

Tenho para mim que a palavra nos une, por ser a maior das entendedoras, a palavra é flexível e se adapta a minha necessidade. O ato de escrever/ler me transporta de onde eu estiver para fora do mundo, me faz ver tudo mais claro e mais verdadeiro. Esse ato nos sublima a ponto de nos perdermos no tempo durante uma boa leitura ou nos acharmos ao escrevermos uma frase qualquer.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Filho da Lua

Sentada olhei de longe uma vidinha, um menino de uns 10 anos, vendendo chicletes no meio do bar. Antes fosse a revolta ou a tristeza, ele não traz tristeza, nem lembra tristeza. Aquele menino tem uma luzinha, vai de mesa em mesa, de olhar em olhar, ele recebe pena, nojo, graça, amor e por último dinheiro. Ele chega em cada mesa dá um rodopio, mata um dragão, salva uma princesa, pula rios de fogo e depois te oferece um chiclete com um sorriso de dever cumprido. Sua vida, de bar em bar, de chiclete em chiclete, de medo em medo, de fome em fome, não lhe tirou uma coisa... a estrela do olhar. Não serei hipócrita, não acredito honestamente que ele consiga ser um grande advogado ou um profissional de primeira linha um dia, meu conto de fadas não é esse. Ele é grande; só porque é, ele não precisa de mais nada, mesmo que precise de tudo, ele vence noites e noites pra chegar em casa ajudar a mãe com o dinehiro dos chicletes e ver um programa de tv, chegar em casa e mostrar que é um pequeno homem. Muitos caras adultos devem se perguntar como ele sorri, devem fazer desdém e citar governos hipócritas, mas no fim o que vai adormecer com eles se assim conseguirem lembrar será: como ele sorri? Ele só tem 10 anos e passeia pela noite... ao vê-lo andar para longe imagino os perigos que ele corre a cada esquina, a cada faixa atravessada entre motoristas bêbados, a cada boca de fumo que ele vê, a cada perigo da noite, me desespero, fico olhando ele se afastar e se misturar na cor da noite e de repente eu percebo que a noite é sua grande protetora, percebi que a noite o guiava e cuidava daquele anjinho. Ele faz parte dela e ela dele. Ele pode nunca voltar na minha mesa, ele pode nunca voltar pra casa, ele pode nunca ser nada... mas ele é luminoso e iluminado pela noite. Ele é filho da Lua.

sábado, 21 de maio de 2011

Faz parte do meu show

Essa ausência de razão dos tapas que eu levo da vida é o que eu já não consigo engolir. Não matei ninguém, não cuspi nos meus pratos, evito cortar flores, acordo cedo quando é necessário, amei a vida e as pessoas até onde ambas precisaram, estive aqui para a loucura alheia e ainda mais aqui dentro para as minhas loucuras, tentei evitar que pagassem pelos meus gritos, fui a maior das minhas juízas e tentei ser o mais dura possível comigo mesma para evitar retaliações a meu respeito.

Respeitei a vida e suas frescuras, respeitei os velhinhos e me piedei com criancinhas passando fome, fazia meu dever de casa... evito escrever sobre mim, respeitei meus pais... Ah! Segui o roteiro, vesti o figurino apropriado, decorei minhas falas... pra no final das contas ver que a cena tá uma grande merda, tá tudo errado. Alguém grita por detrás das cortinas sempre para tentar consertar o irremediável e tentar me enganar um pouco para eu, pobre estrela, não me jogar na platéia... ela está vazia. Eu iria me jogar em cima de pedaços de madeiras e foices que eles largaram da última vez que estiveram por aqui. Só sei que isso tudo é uma loucura e a voz não pára nunca de gritar, mal sabe ela que eu já não consigo computar gritos, minha cabeça já está num volume tão alto... E no meio disso tudo entra um louco mudo, entra fazendo um escarcéu danado com uns cacos de vidros e luzinhas de natal... acho que ele tenta enfeitar as coisas, mas mal sabe ele que de tanto enfeite tudo aquilo já tá cafona demais... Ele depois de jogar os cacos de vidro em mim e me fazer sangrar um pouco larga as luzinhas já queimadas num canto qualquer e sai. Diga-se de passagem: pra nunca mais voltar. Logo depois como jogada final entra um cara alto, cabelos grisalhos, com enormes mãos que combatem uma com a outra formando um som que lembra o de um aplauso... só que bem mais agressivo. É bem alto e ele não pára, fica no canto do salão, com aquelas palmas que parecem me ferir bem mais do que todos os cacos de todos os loucos mudos anteriores, e o som vai me deitando, ameaçando matar, me machucando, me fazendo chorar, sangrar não dói, chorar sim.

Ele consegue eu, me deito no chão, minhas pernas já não suportam o peso de tudo aquilo e vou sumindo devagar . O mais estranho é que é sempre o mesmo cara e o mesmo som e o mesmo cheiro e o mesmo instante... todas as vezes. Um ou dois dias depois eu renasço naquelas luzinhas todas largadas... linda e brilhantemente vestida para mais algumas sessões: Faz parte do meu show.