segunda-feira, 18 de abril de 2011

Você vai voltar, vai me dar luz, vai me fazer brilhar de novo... Drama mesmo: eu sei.
É que eu te amo pra sempre, e o sempre começou quando vc foi embora e uma jura dessas sempre leva um pouco de ar, um pouco de luz... Volta sempre, minha casa é sempre sua. Você me traz de volta.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Acontece que a dor da saudade não passa, ela fica na espera. Esperando uma música, um cheiro, uma lembrança boba: é uma cretina.
A saudade é a pior racinha que existe, te espera o tempo que você tira pra tentar fingir que não a vê, pra te pegar quando você acha que já tá pronto.
A saudade é pior do que a morte, a morte acaba com a esperança de ter de volta... a esperança não, ela tá sempre te alucinando com idéias miraculosas e resoluções fantásticas, ela traz esperança de tudo se arranjar.
Podem dizer a vontade que eu não perdi pra sempre, mas deixa u contar: eu sou infantil, doentia, carente, emotiva. Eu preciso das poucas pessoas que eu deixo saberem de tudo isso.

Candura

Sentiu a dor de nascer curado de prazer e de qualquer tipo de benevolência divina. Sentiu a dor de nascer sem ter que nascer, sentiu a dor de nascer sem querer. Quando o leite da mãe secou a fome se tornou normal, já não doía. Viu irmãos nascendo, demorou até que visse aqueles como irmãos de sangue, até então eram só mais pessoas para dividirem o nada. Passou o tempo, a escola existia mas não muito. A escola era um experimento de riqueza entre a miséria, não fazia sentido dormir no chão e acordar cedo para ir para escola... acordar pra que? Largou a escola, precisava trabalhar. O trabalho não dava, pedir dinheiro não dava, mas roubar era uma dor. Roubar era um absurdo, mas depois da morte do irmão mais novo atropelado pelo carro da PM a revolta tornou o crime normal. Roubar era normal, já não doía.
A mãe crente, deixou de aceita-lo como filho, apesar dos pesares, ela tinha uma moral torta que sabe-se lá de onde tirou. Perdeu a mãe.
O tráfico virou família, um carinho no meio das facadas... um apoio e proteção. Não era um cara normal, tinha nos olhos uma doçura própria de quem sabe pra que veio ao mundo, e não era para aquilo: matar, roubar, vida com prazo de validade.
Felizmente aquela doçura saiu de seus olhos e ele soube se virar. Muitas lágrimas rolaram baixinho, de fora pra dentro, a cada corpo que caía a sua frente. A cada lágrima ele se via mais próximo do que devia ser, a cada lágrima ele sentia o gosto doce do olhar se misturar com o salgado da lágrima.
Certo dia numa dessas empreitadas, a lágrima não desceu pra dentro, desceu pra fora. Era sua mãe morta ali. Depois desse episódio, as lágrimas não voltaram a cair nem por dentro nem por fora, a doçura tinha se despedido junto com os olhos abertos da mãe jogada no chão. Olhos que diziam: Não era assim.
Numa emboscada levou um tiro no peito, para sua alegria. Momentos antes da morte ele voltou a sentir as lágrimas. De dentro pra fora, de fora pra dentro. Essas se misturaram à antiga doçura, que junto com o sangue faziam a mistura perfeita para o adeus final. Lembrou dos olhos da mãe e no momento do suspiro final...: Não era assim.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

...

Partidas serão sempre partidas. Crescerei e continuarei chorando como choro hoje com partidas.
Partidas sempre deixam migalhas, sempre deixam esperanças e amores. Deixam botões e um ponto sem nó. Deixam a saudade, a vontade de estar, a vontade de ser a pessoa que foi. Acredito que seja mais fácil para quem vai... Tudo que é novo tem a oportunidade de ser bom, quem fica, fica com os lugares partilhados, com o cheiro das ruas, com a música nunca mais tocada e com a tendência de morrer.
Queria saber pq vc foi, pq as coisas para parecerem certas tem que ser TÃO erradas?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Descerebração

Eu sei que um dia vai acabar, mas não deixa de ser lindo dizer: eu sei, e mesmo assim, vou ficar aqui. Alguma hora, você vai notar que eu sou demais, entende? Eu passo dos limites todos os dias. Eu exagero a minha vida e por conseqüência a sua. Nosso amor vai durar, claro que vai meu amor.Vai durar até a luz deixar de bater na nossa janela e a sanidade pairar sua mente...talvez se ela fosse mais quieta. Não sei se eu vou saber ir embora e por isso, ficar, se torna tão desafiador. A circunstância faz a heroína e nesse caso faz a fracassada: eu não vou embora porque não sei.
Perdi meu tom, nossa melodia é mais forte e mais alta, esqueci o tempo do meu compasso e hoje não passo disso, uma parte de arranjo. E não pense que é ruim, é mais que incrível... acho que era o meu destino, eu sempre fui um rock meio vazio, precisava de você desde que fui planejada por algum deus.
Eu sempre gostei e gostarei do meu rock, vivo bem gritando por aí sem um contra-tempo.
Sei me virar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A mulher tá grande, cresceu, numa casa de pai autoritário e mãe submissa, mas cresceu. Cursou as escolas mais tensas, violentas e descriminatórias para que pudesse ganhar seu emprego e dar pra quem quisesse sem ter que dar satisfações. Foi humilhada quando colocou seu primeiro biquini, amaldiçoada quando andou com a barriga da gravidez a mostra, satanizada quando se apaixonou pela sua melhor amiga, vandalizada quando resolveu correr atrás do amor, dilacerada quando não quis se casar, deserdada quando resolveu sair de casa, violentada quando quis ir andando pra casa, apedrejada quando quis amar quem seu coração mandou.
Nossa menina continuou a vencer, depois de trabalhar o dia inteiro, engravidou, a partir daí trabalhou o dia inteiro e ainda amamentou, cuidou da filha deprê por causa do primeiro namorado, salvou o filho das más companhias e cuidou do marido. O marido foi embora, ela continuou trabalhando, fazendo todo o resto e ainda tratou de cuidar da cabeça, psicologo. Cuidou do corpo, academia. Cuidou da pele, dermatologista. Esqueceu do coração, nenhum cardiologista conseguia enxergar aquela dor toda.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ela tá eternamente puta, sabe? Não é questão de estar tudo bem ou não, está tudo errado isso sim. Sempre errado demais pra ela. A perfeição agrada mas ela tende a apodrecer, e ela também. Tudo tende a dar certo mas ela magoa a vida a ponto da vida revidar e zoar o pouco de razão que restou. Ela conversa com Homens sobre o mundo, ela não distingue sexos, são Homens, todos iguais perante a lei e quem é ela pra discordar.
Não tem uma posição fixa e formada, ela é simplesmente informada e a partir daí vc entende pq ela não tem noção de futuro. Se cada hora a notícia muda, como ela vai se vestir pra sair de casa?
Preto... pelas crianças morrendode fome? Chique... pelo progresso econômico? Retrô... pela volta do McCartney ao Brasil? Vermelho... pela Dilma? Branco... pela paz? Se não se consegue nem definir isso, como proceder?
É compreensível a falta de saco dela para o mundo, o mundo não tem paciência... Pq revidar então?