segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Descerebração

Eu sei que um dia vai acabar, mas não deixa de ser lindo dizer: eu sei, e mesmo assim, vou ficar aqui. Alguma hora, você vai notar que eu sou demais, entende? Eu passo dos limites todos os dias. Eu exagero a minha vida e por conseqüência a sua. Nosso amor vai durar, claro que vai meu amor.Vai durar até a luz deixar de bater na nossa janela e a sanidade pairar sua mente...talvez se ela fosse mais quieta. Não sei se eu vou saber ir embora e por isso, ficar, se torna tão desafiador. A circunstância faz a heroína e nesse caso faz a fracassada: eu não vou embora porque não sei.
Perdi meu tom, nossa melodia é mais forte e mais alta, esqueci o tempo do meu compasso e hoje não passo disso, uma parte de arranjo. E não pense que é ruim, é mais que incrível... acho que era o meu destino, eu sempre fui um rock meio vazio, precisava de você desde que fui planejada por algum deus.
Eu sempre gostei e gostarei do meu rock, vivo bem gritando por aí sem um contra-tempo.
Sei me virar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A mulher tá grande, cresceu, numa casa de pai autoritário e mãe submissa, mas cresceu. Cursou as escolas mais tensas, violentas e descriminatórias para que pudesse ganhar seu emprego e dar pra quem quisesse sem ter que dar satisfações. Foi humilhada quando colocou seu primeiro biquini, amaldiçoada quando andou com a barriga da gravidez a mostra, satanizada quando se apaixonou pela sua melhor amiga, vandalizada quando resolveu correr atrás do amor, dilacerada quando não quis se casar, deserdada quando resolveu sair de casa, violentada quando quis ir andando pra casa, apedrejada quando quis amar quem seu coração mandou.
Nossa menina continuou a vencer, depois de trabalhar o dia inteiro, engravidou, a partir daí trabalhou o dia inteiro e ainda amamentou, cuidou da filha deprê por causa do primeiro namorado, salvou o filho das más companhias e cuidou do marido. O marido foi embora, ela continuou trabalhando, fazendo todo o resto e ainda tratou de cuidar da cabeça, psicologo. Cuidou do corpo, academia. Cuidou da pele, dermatologista. Esqueceu do coração, nenhum cardiologista conseguia enxergar aquela dor toda.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ela tá eternamente puta, sabe? Não é questão de estar tudo bem ou não, está tudo errado isso sim. Sempre errado demais pra ela. A perfeição agrada mas ela tende a apodrecer, e ela também. Tudo tende a dar certo mas ela magoa a vida a ponto da vida revidar e zoar o pouco de razão que restou. Ela conversa com Homens sobre o mundo, ela não distingue sexos, são Homens, todos iguais perante a lei e quem é ela pra discordar.
Não tem uma posição fixa e formada, ela é simplesmente informada e a partir daí vc entende pq ela não tem noção de futuro. Se cada hora a notícia muda, como ela vai se vestir pra sair de casa?
Preto... pelas crianças morrendode fome? Chique... pelo progresso econômico? Retrô... pela volta do McCartney ao Brasil? Vermelho... pela Dilma? Branco... pela paz? Se não se consegue nem definir isso, como proceder?
É compreensível a falta de saco dela para o mundo, o mundo não tem paciência... Pq revidar então?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...

Não era dificil ver que alguma coisa acontecia ali. Traziam uma alegria para a vida, que ninguém estava acostumado a ver. Talvez as desgraças as uniram e as graças as eternizariam. Era mais que natural aquele sentimento. Era mais que necessário aquele sentimento, era orgânico. A vida era mais leve assim, seria mais fácil aguentar as sacanagens do destino com alguém pra te fazer e ver feliz. Eram simplesmente duas, e por si já eram uma força. Sem nenhum tipo de determinação, também era fato que já não suportariam viver, sem aqueles sorrisos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

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Uma mulher, só se torna mulher, se tem uma coisa pra chorar, ela não tem. Não tem uma dor própria. Vê a dor dos outros e se pega procurando entre suas agonias do passado motivos para chorar, ela sabe que não é uma mulher, nem muito menos uma menina. Esse jeito ardiloso de catar sofrimentos é sacana demais para uma menina. Ela não teve um amor, nem terá. Criou uma espécie de razão para viver na vida dos outros, e não por altruísmo e sim por covardia (penso que são a mesma coisa). Não tenho pena por uma razão muito simples, ela assim quer ser vítima da vida, vítima da alegria dos outros, vítima da morte de seus sonhos, para que não precise explicar suas derrotas.
Finge uma inocência que não existe para amaciar o coração dos outros, depois de amaciados os corações tem pena de a descartar.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

tchutchu

Eu poderia gastar minha vida inteira para te olhar, gastaria mais uma vida para parar o mundo quando vc me olha e sorri pra mim. Reviveria cada lágrima minha se isso me trouxesse vc mais uma infinidade de vezes, estaria preparada para reviver cada segundo nosso. Sinto que tudo sempre fez sentido visto daqui pra trás, entende? Muitas vezes fui mudada, muitas vezes fui quebrada, muitas flores murcharam, muitos corações de cristal até chegar você, meu amor.
É como uma eterna primavera fora de hora, que chega para chocar nossas mágoas. É como a chuva que chega para me dar vontade de te ter pra sempre.
Você é uma música que eu nunca vou esquecer a letra e que o refrão é a batida aqui do meu peito.
Você é meu presente preferido, vc é a razão.
Eu te amo, e é tão simples perceber como seria impossivel dar errado. É tão simples perceber pq seu corpo se entrelaça no meu coração, ou pq seu cheiro muda para que eu possa sentir aquilo que preciso sentir.
Um dia erguerão um monumento em nossa homenagem, nomearão um país com uma das nossas canções, ganharemos um prêmio Nobel por termos criado a gente.
Hoje choveu e a única coisa em que consegui pensar foi na gente, o mundo acabando e eu lá lembrando do leve tom de embriaguez da primeira vez que me senti finalmente realmente felizmente sua.
Me leva com vc para onde for, me traz com vc pra mim cada vez que chegar, nunca devolva meu ar e nem meu coração. Por favor.

domingo, 22 de agosto de 2010

6 da manhã

Dentro das roupas rotas e debaixo de uma pele engessada pelo barro que os carros levantam, pé ante pé ia chegando já em casa. As pernas doem, a coluna dói, a cabeça queima com o sol, o sangue seca com a falta d'agua, o coração já bombeia areia e só. Chega em casa e finalmente a realeza pode se manifestar. Naquele momento, sua coroa volta à cabeça. A mentira pode acabar ali, entre aquelas paredes, vocês me perdoem, mas ela reinava. Podia parar de fingir ser doméstica, podia transbordar sua graça. Seus súditos? Quem precisa de súditos? Uma verdadeira rainha governa até os átomos e decidi permitir que eles existam, e sempre os permitia. Fora do mundo fantasioso onde a rainha lava chão, o mundo é até bem justo, entende? Fora os calos e a cara de gente sofrida, quase não se vê sinal da desgraçada fantasia. Ela vibra quando a orquestra começa o sertanejo que ela tanto gosta, corre para aumentar o volume do rádio. Entra no banho, quando sai enrolada na tolha percebe seu príncipe encantado logo ali, ele sabe o que fazer, sempre soube. E fica ali sua majestade dançando e cantarolando no meio da sala, sozinha, mas cercada por todos que a querem tão bem. Enquanto ela gira, o mundo pára, nenhuma poeira, nenhuma patroa, nenhum detalhe imperfeito para a nossa rainha. E ela gira, gira, gira...